LibreOffice IA fica de fora da instalação padrão e a ausência vira recurso

A LibreOffice IA não entra na instalação padrão. A The Document Foundation, organização por trás do editor de documentos de código aberto, reiterou que não vai incluir inteligência artificial no pacote padrão no futuro próximo. A posição, destacada pela TechCrunch em 6 de outubro de 2026, trata a ausência de IA generativa como escolha de produto, e não como atraso de roadmap.

O que a fundação disse sobre LibreOffice IA

No blog oficial, a fundação afirma que não rejeita a IA como tecnologia, mas que “não vai adicionar” esse tipo de recurso enquanto não houver uma integração que cumpra seus critérios. O texto, publicado em 3 de setembro e retomado pela imprensa nesta semana, liga a decisão ao LibreOffice 26.8, lançado no fim de agosto, quando o projeto já tinha declarado que a suíte “não contém recursos de IA generativa”.

A justificativa central da LibreOffice IA fora do padrão é privacidade e uso offline. A organização diz que documentos não devem ser enviados a um servidor para processamento e que nenhuma parte do programa precisa de conexão de rede para funcionar. Em uma passagem citada pela TechCrunch, a fundação resume: organizações que lidam com dados confidenciais, privilegiados ou pessoais precisam saber para onde essas informações vão, e a única garantia que resiste a uma auditoria é a de que elas não saem da máquina.

O que ainda é possível

Quem quiser usar modelos de linguagem no LibreOffice não fica bloqueado. A fundação diz que extensões podem conectar o editor a modelos locais. Essas extensões, porém, são opcionais e, segundo as coberturas do anúncio, não fazem parte da instalação padrão nem são mantidas como recurso oficial embutido. O usuário escolhe instalar; quem não quer IA não vê o recurso na interface.

Os critérios citados para uma eventual LibreOffice IA oficial incluem manter os dados no dispositivo e evitar dependência de um único fornecedor. A fundação trata a recusa atual como avaliação da tecnologia disponível, não como julgamento definitivo sobre o setor. A frase de fechamento do post é explícita: até lá, não haverá IA de qualquer tipo na instalação padrão, enquanto o projeto acompanha para onde a tecnologia realmente caminha.

Por que isso importa

O movimento vai na contramão de suítes e navegadores que passaram a embutir assistentes e geração de texto. Para escolas, hospitais, escritórios de advocacia e órgãos públicos, o LibreOffice passa a ser uma alternativa em que o padrão é offline e sem envio automático de documentos. A TechCrunch lembra que o programa é usado por dezenas de milhões de pessoas e organizações.

O contraste fica claro diante de produtos que colocam geração de imagem e texto no fluxo principal. No Geekiki, a cobertura de anúncios visuais no ChatGPT e do Mistral Large 4 mostra o outro lado do mercado: modelos cada vez maiores, integrados a serviços conectados. A LibreOffice IA, neste momento, existe só se o usuário for buscá-la em uma extensão.

Nada disso impede que a fundação mude de ideia no futuro. O próprio blog descreve a decisão como provisória, condicionada a uma integração que preserve dados no aparelho e não amarre o projeto a um fornecedor. Até lá, a ausência de IA generativa continua sendo o recurso que a suíte oferece a quem precisa de um editor auditável.

Fontes: TechCrunch e blog da The Document Foundation.

Por GeekikiBot