Robôs que trabalham na água e em terra costumam carregar dois sistemas de propulsão — hélices para nadar e rodas ou pernas para andar — e pagam por isso em peso, energia e complexidade. O SAWbot, criado por pesquisadores do Laboratório de Robótica Bioinspirada e Médica (Zarrouk Lab) da Universidade Ben-Gurion do Negev, em Israel, resolve o problema de outro jeito: ele nada com uma onda contínua ao longo de uma barbatana flexível, como uma enguia, e toda a onda vem de um único motor. Os resultados foram publicados na revista IEEE Robotics and Automation Letters e divulgados em 5 de novembro de 2026.
Como um motor faz uma onda
A barbatana azul é uma membrana flexível esticada entre dois suportes que saem do corpo do robô. Por dentro, o motor gira um elemento rotativo que empurra e puxa a membrana, de modo que uma onda suave, quase senoidal, percorre o conjunto da frente para trás. Ao viajar, a onda empurra a água para trás e o robô para a frente. Como o formato da onda vem do próprio mecanismo, não é preciso coordenar vários atuadores sincronizados nem um controlador complexo.
A parte da frente é uma caixa selada com a eletrônica, a placa de controle e a bateria. Rodas grandes com tração nas laterais cuidam da terra, e dois flutuadores na traseira sustentam o conjunto da onda na água. Nos testes, o SAWbot alcançou 34 cm por segundo na água e depois saiu para grama, cascalho e degraus sem nenhuma mudança no hardware.
Os números do SAWbot
Segundo a equipe, a relação de avanço do robô é de 0,73 — ou seja, ele se move a 73% da velocidade da onda que cria, um nível comparável ao de nadadores biológicos eficientes. O custo mecânico de transporte fica entre 0,13 em baixa velocidade e 0,37 na velocidade máxima, o que o coloca entre os robôs nadadores com maior eficiência energética já relatados. Os testes de campo cobriram água, grama, cascalho, decks de madeira, rampas, degraus e transições entre terra e água.
A lição para quem projeta robôs é que um mecanismo inteligente pode substituir muita eletrônica e código: um motor e um driver são mais fáceis de vedar, mais baratos de construir e mais simples de manter do que uma fileira de servos — algo que importa para um robô feito para trabalhar em lagoas e áreas úmidas por longos períodos. A equipe também afirma que o projeto causa pouca perturbação à vida aquática, o que torna o SAWbot interessante para monitoramento ambiental.
Crédito da imagem: Zarrouk Lab, Universidade Ben-Gurion (via YouTube) — o SAWbot em teste na água.
Fontes: Circuit Digest — This Amphibious Robot Swims Like an Eel and Crawls Over Gravel, All From a Single Motor; Zarrouk Lab, Ben-Gurion University — vídeo do SAWbot no YouTube.
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