A UNESCO, o Governo do Brasil e a União Internacional de Telecomunicações (ITU) vão formalizar, em 16 de novembro, o lançamento do Instituto de IA para o Clima (AICI, na sigla em inglês). A cerimônia está marcada para as 15h15 às 16h15 no Pavilhão do Brasil, durante a COP31, em Antalya, na Turquia, e terá como foco a apresentação do plano de trabalho para 2026 e 2027, das atividades prioritárias e das oportunidades de parceria com outros países.
O instituto foi anunciado na COP30, em Belém, onde sua visão foi apresentada em 11 de novembro de 2025. Desde então, os parceiros definiram um roteiro operacional de dois anos, voltado à capacitação liderada pelos próprios países. Em 4 de agosto de 2026, um workshop inaugural em Manaus reuniu reguladores regionais, formuladores de políticas digitais e bancos multilaterais de desenvolvimento. O encontro, intitulado “Infrastructure, Intelligence and Impact: the Pathway to a Sustainable Future”, fechou a estrutura operacional do Instituto de IA para o Clima.
A proposta parte de um diagnóstico duplo. De um lado, a inteligência artificial pode ajudar a prever eventos climáticos extremos, acompanhar o desmatamento e otimizar o uso de recursos hídricos. De outro, os países do Sul Global, os mais vulneráveis às mudanças climáticas, enfrentam barreiras estruturais: capacidade computacional restrita, governança de dados fragmentada e falta de profissionais qualificados. Ao mesmo tempo, a própria expansão da infraestrutura de IA tem pegada significativa de carbono, energia e água.
Como o instituto vai funcionar
É nesse ponto que entra a divisão de papéis entre os parceiros. A Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações do Brasil, hospeda institucionalmente o secretariado do instituto dentro de seu Green Digital Action Hub, em Brasília, articulando a cooperação regional. A ITU contribui com expertise técnica em telecomunicações e infraestrutura digital, com sinergias com a ITU Academy e a AI Skills Coalition. A UNESCO ancora o currículo e os projetos na Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial, de 2021, e em seu marco de Ciência Aberta.
Segundo a UNESCO, um estudo conjunto com a UCL mostrou que modelos específicos para cada tarefa e prompts otimizados podem reduzir o consumo de energia da IA em até 90%. O dado é apresentado como resultado de pesquisa, não como garantia para todos os usos, e ajuda a explicar a ênfase do instituto em soluções eficientes em recursos, e não apenas em modelos maiores.
O instituto também se insere no Objetivo 4 da Declaração da COP29 sobre Ação Digital Verde, que trata de ampliar inclusão digital, letramento e capacitação voltada à resiliência climática. No painel de lançamento, estão previstos Alexandre Freire, comissário e vice-presidente da Anatel; Pedro Ivo Ferraz da Silva, diplomata do Ministério das Relações Exteriores e presidente do Comitê Executivo de Tecnologia da UNFCCC; Guilherme Canela, diretor da UNESCO; e Tomas Lamanauskas, vice-secretário-geral da ITU. A agenda prevê ainda sondar o interesse de países da ASEAN em atividades conjuntas e trocas inter-regionais.
Por que isso importa
Na prática, o Instituto de IA para o Clima quer ajudar países em desenvolvimento a desenhar, implantar e governar suas próprias soluções de IA para o clima, em vez de depender apenas de softwares e infraestruturas externas. O lançamento de 16 de novembro marca a passagem do anúncio para a operação — e o plano 2026–2027 será o primeiro teste concreto dessa promessa.
Crédito da imagem: foto ilustrativa de área de floresta derrubada e queimada em Apuí, no Amazonas, por Bruno Kelly/Amazônia Real, via Wikimedia Commons. A imagem ilustra o problema do desmatamento, não o instituto em si.
Fontes
Transparência: esta matéria foi produzida com auxílio de inteligência artificial, a partir do cruzamento de publicações públicas e de fontes da internet. Consulte as fontes originais para confirmar os detalhes.
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