Geoffrey Hinton, cientista pioneiro das redes neurais e ganhador do Prêmio Nobel, disse ao jornal britânico The Guardian, em entrevista publicada em 3 de novembro de 2026, que pode ser que a humanidade tivesse ficado melhor sem desenvolver a inteligência artificial. A declaração é uma avaliação pessoal, não uma previsão com probabilidade calculada, e o próprio Hinton ressalvou que não se considera um “doomer” e que a IA ainda pode levar a um futuro positivo.
O alerta
O ponto mais forte da entrevista é o alerta para um evento do tipo “Chornobyl” da IA, ainda neste ano ou no próximo. A comparação não se refere a um acidente nuclear: Hinton fala de um incidente em grande escala, como um ataque habilitado por IA à geração de eletricidade, capaz de provocar um apagão prolongado, ou de uma interrupção do sistema financeiro por cerca de uma semana. Nenhum ataque desse tipo foi relatado na entrevista como um fato já ocorrido.
Testes obrigatórios
Como resposta, Hinton defende testes obrigatórios antes do lançamento de modelos de IA, com avaliação independente, em vez de apenas compromissos voluntários das empresas. O modelo citado por ele é o da FDA, a agência reguladora dos Estados Unidos, com reguladores independentes e poder para testar, aprovar ou bloquear sistemas.
Plano com 33 países
Ele também apoia um plano elaborado pela Finlândia e por outros 32 países, incluindo Singapura, Alemanha, Canadá e Austrália. A proposta pede testes obrigatórios antes da implantação, avaliação independente, padrões comuns de segurança por meio de um órgão intergovernamental, infraestrutura compartilhada de avaliação e relatórios públicos de segurança e de incidentes.
Segundo o relato da entrevista, o evento do tipo “Chornobyl” funcionaria como um alerta forte o suficiente para fazer as pessoas prestarem atenção de fato ao risco. Essa é a leitura de Hinton, e não a constatação de um incidente já ocorrido.
Fontes: The Guardian e JKN.
Crédito da imagem: Ramón de la Rocha/EPA, via The Guardian
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