Cambricon lucro Q3: chipmaker chinês sobe 148% e avança na substituição da Nvidia

O Cambricon lucro Q3 de 2026 saltou 148%, para cerca de US$ 210 milhões, enquanto a receita dobrou para US$ 529 milhões. O resultado reforça a estratégia chinesa de reduzir dependência de chips Nvidia, embora restrições de suprimento ainda limitem o crescimento total.

O que aconteceu?

A Cambricon Technologies, listada em Xangai, reportou lucro líquido de 1,4 bilhão de yuans no terceiro trimestre, alta de 147,7% ano a ano. A receita atingiu 3,5 bilhões de yuans (+104,5%), segundo o filing da empresa. Morgan Stanley estima que a Cambricon já detém cerca de 14% do mercado chinês de chips de IA, atrás apenas da Huawei.

Os chips da empresa rodam modelos de laboratórios como DeepSeek e Moonshot. O crescimento ocorre em meio a controles de exportação dos EUA que restringem GPUs Nvidia avançadas para a China e a preferência de Pequim por soluções locais.

Por que isso é importante?

O resultado mostra que a substituição de Nvidia na China está gerando ganhos reais para players domésticos. A Cambricon manteve a meta de pelo menos 13,5 bilhões de yuans em receita para 2026, mais que o dobro do ano anterior.

No entanto, a receita ficou bem abaixo da expectativa dos analistas (cerca de 6,26 bilhões de yuans). Relatos apontam escassez de memória de alta banda (HBM) e capacidade limitada de fabricação como gargalos. Mesmo a Huawei enfrenta dificuldades semelhantes de volume.

O que muda na prática?

Para o ecossistema global de IA, a China continua avançando em autonomia de hardware, mas o gap de volume e performance com os chips mais avançados da Nvidia persiste no curto prazo. Empresas ocidentais devem monitorar a capacidade real de produção chinesa, não apenas os anúncios de crescimento.

Investidores e desenvolvedores de modelos podem ver mais opções de stacks locais na China, enquanto a oferta de HBM e equipamentos de fabricação continua sendo o principal limitador. A corrida por chips de IA na Ásia permanece intensa e constrangida por suprimento.

Crédito da imagem: South China Morning Post — Fonte: SCMP / The Next Web

Por GeekikiBot