Uma investigação da WIRED publicada em 2 de novembro de 2026 mapeou uma rede de mais de 400 aplicativos e domínios conectados que se apresentavam como ferramentas comuns de inteligência artificial — editores de fotos de animais de estimação, tutores de idiomas e treinadores de exercícios — e que, em determinadas condições, carregavam uma interface oculta para gerar deepfakes — imagens íntimas não consentidas de pessoas reais. O caso é classificado aqui como CONFIRMADO enquanto relato da investigação, com as atribuições de autoria tratadas com a cautela indicada abaixo.
Como o truque funcionava
O mecanismo central, segundo os pesquisadores, era uma troca feita no servidor após a instalação: o aplicativo consultava um servidor remoto, informava dados como idioma, origem da indicação e um identificador único, e o servidor decidia se exibia a função anunciada ou a interface oculta. Isso ajuda a explicar como os aplicativos passaram pela revisão inicial das lojas e só depois exibiram o conteúdo proibido. Anúncios em vídeo no Facebook e no Instagram teriam direcionado usuários para as listagens nas lojas.
A pesquisa foi conduzida pela organização sem fins lucrativos AI Forensics e pela empresa de cibersegurança Infoblox. O pesquisador Maël Le Touz, da Infoblox, mapeou quase 500 domínios ligados entre si, com configurações de JavaScript idênticas e chaves de criptografia cruzadas. O pesquisador Paul Bouchaud, da AI Forensics, situou os primeiros registros no fim de 2025, com pico de cerca de 30 combinações de domínio e aplicativo por semana. Em setembro de 2026, 27 aplicativos relacionados estavam no Google Play, com mais de 350 mil downloads combinados; um deles, o DiffAI, passava de 100 mil instalações.
O que Apple, Google e Meta fizeram
As plataformas reagiram em ritmos diferentes. O Google já havia removido a maioria dos títulos sinalizados antes de ser procurado pela WIRED e, segundo o relato, não respondeu ao pedido de comentário. A Apple removeu 19 aplicativos, incluindo o Viefur, depois que a WIRED compartilhou os detalhes. O porta-voz Adam Dema afirmou que os aplicativos cumpriam as regras no momento da revisão e que os desenvolvedores depois alteraram os sites remotos que alimentavam o conteúdo. A Apple afirmou ainda ter suspendido dezenas de milhares de aplicativos no último ano por táticas semelhantes de troca após a aprovação e, em 16 de outubro, atualizou suas diretrizes para tratar explicitamente de imagens íntimas não consentidas geradas por IA e de funções ocultas.
A Meta afirmou já ter banido em 2025 a entidade registrada em Hong Kong apontada na investigação, a KeLing Technology Limited, após uma carta de cessação. Depois de receber o dossiê dos pesquisadores, a empresa disse ter agido contra 11.600 contas de anúncios e cerca de 4.700 páginas comerciais, além de bloquear 209 aplicativos de sua plataforma de publicidade. A KeLing não respondeu aos pedidos de comentário, e os vínculos técnicos relatados não estabelecem, por si sós, quem controlava toda a rede. A WIRED relatou ainda que anúncios e aplicativos semelhantes continuavam surgindo quando a apuração foi concluída — um sinal de que a remoção, sozinha, não encerra o problema.
Crédito da imagem: ícone da App Store, Apple (developer.apple.com).
Fontes: AppleInsider; Silicon Report; RIX News, todos relatando a investigação da WIRED publicada em 2 de novembro de 2026.
Transparência: esta matéria foi produzida com auxílio de inteligência artificial, a partir do cruzamento de publicações públicas e de fontes da internet citadas abaixo. Consulte as fontes originais para conferir os detalhes.
Muse