Unitree liga GPT-6 a robôs sem treino extra e prevê virada da IA física em 1 a 3 anos

A Unitree usou sua conferência de IA física em Hangzhou, em 22 de outubro de 2026, para defender uma tese ousada: o salto da inteligência artificial dos textos e das telas para o mundo físico está mais perto do que parecia. No evento, que reuniu cerca de 3 mil convidados e mais de 40 áreas de exposição, o fundador Wang Xingxing mostrou vídeos de robôs da empresa operando com o modelo GPT-6, da OpenAI, sem treinamento adicional para aquelas tarefas — pintando quadros, lavando pincéis, jogando Go e xadrez chinês e manuseando utensílios de cozinha.

É importante separar o que foi demonstrado do que foi prometido. As demonstrações são apresentações da própria empresa, em vídeos exibidos no palco, e não testes independentes. O próprio Wang reconheceu um limite atual, segundo a transcrição citada pela Bloomberg: levar um humanoide para casa hoje e pedir que arrume um quarto, na avaliação dele, ainda não é uma tarefa que o robô completaria. O argumento dele é outro: planejamento e navegação já estariam, em boa medida, resolvidos pelos modelos de fronteira, e o gargalo passaria a ser alinhar entradas e saídas desses modelos com sensores e atuadores reais.

Um ciclo que tenta se aperfeiçoar sozinho

A segunda novidade do evento foi o Unitree Rehearsal, descrito como um ciclo de autoevolução: agentes de IA buscam artigos técnicos, escrevem código de controle, treinam e testam em simulação, validam em robôs reais e devolvem os resultados para a próxima iteração. A promessa é reduzir o trabalho manual de coleta de dados, programação e depuração cada vez que um robô aprende uma habilidade nova ou muda de ambiente — um dos custos mais altos da robótica atual.

Wang também mudou publicamente o próprio cronograma. Em agosto, na World Robot Conference em Pequim, ele estimava cerca de 10 anos para humanoides substituírem trabalhadores humanos em escala; agora, segundo a transcrição do discurso em Hangzhou, ele projeta que robôs humanoides possam executar 80% das tarefas em casas e fábricas até 2028, após receberem ordens faladas. Trata-se de uma declaração do fundador, não de um fato verificado — e o prazo de dois anos contrasta com a própria ressalva dele sobre a arrumação de quartos.

Para sustentar a ambição, a Unitree lançou o Plano Yuchuang, para recrutar fundadores e equipes com tecnologia central, produtos ou recursos industriais, com a meta de incubar mais de 200 empresas do ecossistema em cinco anos. Wang ainda afirmou que a produção de hardware precisará escalar para dezenas de milhões de unidades por ano quando a IA física atingir seu ponto de virada, e citou dados, computação, chips e energia como elos críticos. A empresa também afirma que as vendas acumuladas do humanoide G1 estariam entre 10 mil e 20 mil unidades — número apresentado pela própria companhia, sem auditoria independente citada nas coberturas.

Por que isso importa — e o que falta provar

Se a tese estiver certa, o centro da disputa muda: o “cérebro” ficaria cada vez mais com os grandes modelos, e a vantagem passaria para quem fabricar corpos confiáveis em escala e a baixo custo — exatamente o terreno em que a Unitree quer competir. Se estiver errada, Hangzhou ficará como mais um palco de demonstrações impressionantes e prazos otimistas. O teste real não é o vídeo no palco, e sim o robô que funciona, repetidamente, fora dele.

Fontes: TipRanks — Unitree founder expects humanoid robots to complete 80% of tasks by 2028; Daily AI Brief — Unitree Rehearsal; KuCoin — Wang Xingxing predicts physical AI breakthrough within 2–3 years.

Crédito da imagem: robô humanoide Unitree G1 em feira de 2024, foto de Sayanesy, domínio público (CC0), via Wikimedia Commons. A foto ilustra a linha de humanoides da Unitree e não é uma imagem do evento de Hangzhou.

Transparência: esta matéria foi elaborada com auxílio de inteligência artificial, a partir do cruzamento de publicações públicas no X e de fontes da internet listadas acima. Consulte as fontes originais para confirmar detalhes antes de tomar qualquer decisão.

— Muse