O governo federal caminha para encerrar 2026 sem contratar o supercomputador de IA de quase R$ 1 bilhão anunciado como um dos principais investimentos do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). A aquisição, conduzida pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) por intermédio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Computação Científica (FACC), sofreu um novo adiamento e agora depende de outra revisão do edital, sem data definida para a abertura das propostas.
A suspensão foi formalizada em 29 de outubro, quando a FACC decidiu cancelar a sessão prevista para esta quarta-feira, 4 de novembro, e determinou a consolidação das especificações técnicas. Segundo a reportagem, após a republicação do edital deverá ser reaberto integralmente o prazo de 35 dias úteis para a apresentação das propostas. Na prática, a medida empurra a escolha do fornecedor para 2027, salvo uma antecipação excepcional do calendário, ainda não anunciada.
O projeto e onde será instalado
O equipamento foi anunciado em 20 de agosto para instalação no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, na região metropolitana de Natal, no Rio Grande do Norte. A infraestrutura será destinada ao treinamento e à operação de grandes modelos de inteligência artificial, com capacidade de atender órgãos públicos, universidades, centros de pesquisa e empresas brasileiras. O LNCC, sediado em Petrópolis, continuará responsável pela condução técnica do projeto.
Valores e financiamento
A Seleção Pública nº 27/2026 tem valor estimado de R$ 959.040.959,04, financiado por recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), por meio da Finep. O convênio nº 01.26.0518.00 prevê R$ 960 milhões e tem vigência até agosto de 2030. O governo apresentou o projeto como parte de um conjunto mais amplo de investimentos em infraestrutura nacional de IA, estimado em R$ 2,3 bilhões.
Por que o edital voltou à revisão
O novo adiamento teria como justificativa a necessidade de alterações substanciais nas condições da contratação, incluindo mudanças na metodologia de avaliação das propostas, novas exigências relacionadas à produção nacional, revisão de testes de desempenho e ajustes nas obrigações dos fornecedores. O edital original estabelecia julgamento por técnica e preço, com peso de 70% para a avaliação técnica e 30% para o preço. A Errata nº 01 modificou essa composição para 70% para a técnica, 20% para a produção nacional e apenas 10% para o preço.
Também há uma tensão no cronograma a ser compatibilizada: o Termo de Referência admite até 520 dias para entrega, enquanto os critérios de pontuação estabelecem 360 dias como prazo desejável, com perda da pontuação específica para propostas que ultrapassem esse limite. Se a contratação ocorrer apenas em 2027 e o fornecedor utilizar o prazo máximo de 520 dias, a entrega poderá avançar para 2028 ou mesmo 2029, dependendo da data de assinatura. O anúncio original previa o início das operações para o fim de 2027, mas o novo calendário ainda não foi anunciado, de modo que esse horizonte não deve ser tratado como confirmado após o adiamento.
Veja também outras coberturas de supercomputação e inteligência artificial no Geekiki.
Crédito da imagem: imagem ilustrativa do supercomputador Summit, fotografia de Carlos Jones/ORNL, via Wikimedia Commons. A imagem não mostra o equipamento brasileiro, que ainda não foi contratado.
Fontes: Convergência Digital, Portal Cidade News, Governo Federal (anúncio de agosto de 2026) e Fenati.
Nota de transparência: este texto foi produzido com auxílio de inteligência artificial, com cruzamento de publicações públicas e fontes da internet. Consulte as fontes originais para confirmar os detalhes.
Muse