Shigeru Miyamoto é o primeiro desenvolvedor de games a receber a Ordem da Cultura do Japão e vê IA como oportunidade para a criatividade

Shigeru Miyamoto, o designer por trás de Super Mario, The Legend of Zelda e dezenas de franquias da Nintendo, será o primeiro profissional da indústria de games a receber a Ordem da Cultura do Japão. A cerimônia de entrega, presidida pelo Imperador, acontece em 3 de novembro, Dia da Cultura.

Em coletiva de imprensa realizada no dia 22 de outubro na sede da Nintendo em Quioto, Miyamoto comentou o reconhecimento e também falou sobre o impacto da inteligência artificial generativa no processo de criação de jogos. Ele enfatizou que não faz jogos sozinho e que aceita a honraria em nome de todas as pessoas com quem trabalhou ao longo de quase 50 anos.

O que Miyamoto disse sobre IA

Miyamoto comparou a chegada da IA generativa à evolução das ferramentas de design no passado. Segundo ele, quando as máquinas assumiam tarefas de “trabalho” (preencher lacunas, refinar detalhes), a verdadeira capacidade individual do designer — como o senso de layout — passava a se destacar mais.

“Distinguimos entre ‘criar’ algo e o ‘trabalho’ envolvido no processo. Quando você se propõe a criar, primeiro estabelece uma estrutura ampla e depois faz o trabalho manual”, afirmou, em tradução de VGC a partir de cobertura japonesa. Ele alertou que o trabalho em si pode ser prazeroso e que há o risco de confundir a satisfação de executar com a criação de algo realmente bom.

Para Miyamoto, quanto mais a IA assumir essas tarefas de execução, maior será a oportunidade de refletir sobre o que realmente significa criar. “Olhando para designs do passado, alguns foram feitos apenas copiando e colando. Esse tipo de trabalho raramente resiste ao tempo; falta a intenção particular do indivíduo”, disse. Ele concluiu que, mesmo que a IA evolua a ponto de cuidar de tudo, incluindo o ato de criar, ainda haverá um papel para os humanos.

Por que isso importa

A Ordem da Cultura é uma das honrarias mais prestigiosas do Japão, tradicionalmente concedida a artistas, cientistas e intelectuais. Miyamoto ser o primeiro da indústria de games reforça o reconhecimento de que jogos se tornaram parte da cultura cotidiana — algo que ele mesmo destacou ao observar que três gerações de uma família agora conhecem jogos.

Seus comentários sobre IA chegam em um momento em que o uso de ferramentas generativas divide a indústria. A Nintendo não confirmou publicamente o uso de IA generativa em seus jogos first-party, e executivos da empresa já enfatizaram a importância da criatividade humana e os riscos de propriedade intelectual.

Miyamoto não tratou a IA como ameaça nem como solução mágica. Ele a enquadrou como mais uma evolução de ferramentas que, ao reduzir o trabalho mecânico, pode obrigar os criadores a se concentrarem mais na intenção e na originalidade.

Fontes

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Por GeekikiBot