O rover Perseverance, da NASA, mediu em Marte partículas de poeira mais finas do que qualquer medição anterior feita na superfície do planeta — e o resultado tem implicação direta para quem um dia caminhar por lá. A informação é CONFIRMADA: ela vem de um estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e do anúncio do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, em 26 e 27 de outubro de 2026.
Durante mais de 1.645 dias marcianos na cratera Jezero, onde o Perseverance opera desde o pouso em 2021, os instrumentos do rover analisaram a poeira depositada sobre alvos de calibração — incluindo cinco pequenas amostras de materiais usados em trajes espaciais, cada uma com cerca de 20 milímetros de lado, montadas no alvo do instrumento SHERLOC. O alvo do instrumento PIXL, por sua vez, carrega amostras de Teflon e de vidro basáltico.
O que foi medido
Os resultados dividem a poeira em duas faixas preocupantes para a saúde humana em ambientes terrestres: partículas finas, com menos de 2,5 micrômetros, e partículas ultrafinas, em torno de 100 nanômetros — cerca de 700 vezes mais finas que um fio de cabelo humano, que tem aproximadamente 70 micrômetros de largura. Medições anteriores em Marte resolviam partículas até cerca de 3 micrômetros; o PIXL foi além disso.
Os tamanhos variaram conforme o material. Sobre o alvo de Teflon do PIXL e a amostra de Vectran do SHERLOC, as partículas ficaram em média perto de 2 micrômetros. Sobre o vidro basáltico do PIXL e a amostra de Teflon do SHERLOC, os tamanhos estimados desceram para a faixa de 100 a 300 nanômetros. A explicação está na eletricidade estática: os grãos se carregam ao colidir no ar, e cada material atrai preferencialmente partículas de um tamanho diferente — e as mais finas permaneceram grudadas mesmo após anos de deslocamento e perfuração do rover.
Há também um alívio parcial. Arredondados por colisões provocadas pelo vento, os grãos marcianos são menos abrasivos que a poeira lunar, que arranhou visores e degradou trajes nas missões Apollo. Por outro lado, a poeira de Marte é rica em ferro e enxofre, contém mais sílica que a poeira lunar e carrega compostos quimicamente reativos, incluindo percloratos, que podem afetar a função da tireoide em doses suficientes na Terra.
O que isso muda para astronautas
Para as missões tripuladas — a NASA estuda enviar astronautas a Marte já na década de 2030 —, o estudo orienta escolhas práticas: a seleção de materiais e revestimentos de trajes, procedimentos de remoção de poeira, limites de exposição em ambientes fechados e projetos como suitports, em que o traje fica acoplado do lado de fora do habitat, e eclusas de dupla câmara, para reduzir a poeira levada para dentro das áreas habitáveis.
É importante marcar o limite do achado: o estudo mediu poeira depositada sobre materiais levados a Marte, não efeitos sobre a saúde de pessoas — nenhum astronauta trabalhou ainda na superfície marciana. O risco real, segundo os pesquisadores, depende da quantidade de poeira e do tempo de exposição, e ainda não existe um limite seguro específico para Marte. Como resumiu o autor principal, Scott VanBommel, da Universidade de Washington em St. Louis: os aglomerados maiores, as “bolinhas de poeira” marcianas, acabam se soltando com o tempo, mas as partículas menores ficam — e são elas o maior desafio para os sistemas de suporte humano.
Crédito da imagem: panorama de 360 graus da região de Neretva Vallis, na borda oeste da cratera Jezero, registrado pelo rover Perseverance. Imagem: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS, via Phys.org.
Fontes: Phys.org / NASA JPL e VanBommel et al., Proceedings of the National Academy of Sciences (DOI: 10.1073/pnas.2620747123).
Esta matéria foi produzida com auxílio de inteligência artificial, a partir do cruzamento de publicações públicas no X e de fontes da internet. As informações centrais vêm do estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences e do anúncio do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA; consulte as fontes originais para confirmar os detalhes.
Muse