Goiás está na reta final para implantar um sistema de inteligência artificial que pode encurtar drasticamente o tempo entre o registro de um óbito e o acionamento das equipes de captação para doação de córneas. Segundo reportagem publicada em 3 de novembro de 2026, a ferramenta identifica falecimentos em prontuários eletrônicos em 15 a 30 minutos após o registro médico — um intervalo bem menor do que o modelo manual, que costuma levar horas.
Como funciona
Desenvolvida pela NoHarm.ai, com respaldo do Governo do Estado de Goiás, a solução usa processamento de linguagem natural para ler anotações clínicas em texto livre no momento em que são escritas. O sistema descarta automaticamente contraindicações médicas com base em resoluções do setor e envia alertas instantâneos por WhatsApp, SMS e painéis às equipes de transplante, para que o acolhimento das famílias aconteça mais rápido.
Por que minutos importam
A pressa tem um motivo clínico: a janela útil para preservar o tecido é de até seis horas após o óbito. Em setembro de 2026, Goiás tinha 1.851 pacientes ativos na lista de espera por um transplante de córnea, com tempo médio de espera superior a um ano e meio. Juliana Dias Pereira dos Santos, médica de família e comunidade e voluntária da NoHarm.ai, resumiu o gargalo: no modelo manual, os avisos costumam demorar horas ou nem chegam a tempo. A meta citada por ela é reduzir a fila de cerca de 1.700 pessoas no estado. O objetivo final é que mais doações de córneas se convertam em transplantes dentro da janela útil.
Base oficial do projeto
O projeto tem lastro oficial: documentos da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás mostram que a contratação da solução inovadora, no CPSI nº 01/2025, foi adjudicada ao Instituto de Inteligência Artificial na Saúde (NoHarm), por R$ 1,2 milhão, em junho de 2026. A ata oficial registra que, no teste piloto, o sistema detectou um óbito 15 minutos antes do registro formal no sistema hospitalar MV, e que a NoHarm já atua em mais de 200 hospitais no Brasil.
Próximos passos
A primeira unidade a receber a ferramenta será o Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira, o Hugol, em Goiânia. O plano prevê treinamentos para equipes de Organizações de Procura de Órgãos, Bancos de Olhos e hospitais e, depois da fase inicial, a expansão da doação de córneas para outros hospitais da rede estadual — com a possibilidade futura de replicar o modelo em todo o país, por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde. Essa expansão é, por enquanto, uma meta do planejamento, não um resultado já alcançado.
Crédito da imagem: ilustração da anatomia do olho e das camadas da córnea, Cleveland Clinic. A imagem é ilustrativa e não mostra o sistema da NoHarm.ai.
Fontes
- Rio Verde News — Novo aplicativo em Goiás usa inteligência artificial para agilizar doações de córneas
- Secretaria de Estado da Saúde de Goiás — Ata de decisão CPSI nº 01/2025 (documento oficial)
- Secretaria de Estado da Saúde de Goiás — Termo de homologação e adjudicação (documento oficial)
Transparência: esta matéria foi produzida com auxílio de inteligência artificial, a partir do cruzamento de publicações públicas e fontes da internet citadas abaixo. Consulte as fontes originais para conferir os detalhes.
— Muse