Brasil vira válvula de escape para data centers com REDATA e energia 87% renovável

Enquanto comunidades nos Estados Unidos reagem contra a construção de novos data centers, o Brasil aparece como uma possível válvula de escape para essa demanda reprimida — e a reportagem da Fortune publicada em 1º de novembro de 2026, classificada aqui como CONFIRMADA quanto ao relato, mostra por que o país entrou no radar das grandes empresas de tecnologia, com a lei REDATA no centro da estratégia.

O ponto central é a lei REDATA, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 15 de setembro, que corta tributos sobre equipamentos qualificados para data centers. Segundo a Fortune, os altos impostos federais de importação tornavam a construção de grandes data centers no Brasil mais cara do que em outros países da região — e o novo regime busca reverter esse quadro, com contrapartidas de soberania de dados.

O que a REDATA exige

As condições são claras: as empresas beneficiadas devem oferecer pelo menos 10% dos serviços de computação qualificados a clientes brasileiros e investir 2% do valor dos equipamentos com benefício fiscal em pesquisa e desenvolvimento no Brasil. O objetivo declarado é reduzir a fatia de 60% dos dados digitais brasileiros hoje processados no exterior, segundo o Ministério do Desenvolvimento.

O outro trunfo é a energia. A eletricidade brasileira custa menos da metade da norte-americana e, segundo o Ministério de Minas e Energia, quase 87% dela vem de fontes renováveis, com excedente gerado pelo crescimento rápido da energia eólica e solar. Para Carlos Barrera, CEO da Atlas Renewable Energy, o Brasil pode aliviar as restrições de capacidade dos EUA — mas o país ainda precisará de mais linhas de transmissão para ligar os grandes data centers à rede.

Energia barata e demanda local

A demanda local também pesa: o Brasil é o terceiro maior mercado semanal da OpenAI, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia, com 215 milhões de mensagens enviadas ao ChatGPT por dia, segundo a empresa. A Amazon Web Services já investiu mais de US$ 3,8 bilhões em infraestrutura de data centers no país desde 2011 e prometeu outros US$ 1,8 bilhão até 2034; a Microsoft comprometeu US$ 2,7 bilhões em nuvem e IA ao longo de três anos; e o Google planeja dobrar sua infraestrutura de nuvem no Brasil até 2030.

Nem tudo é consenso. Christopher Torto, CEO da Ascenty, disse à Fortune que, sem a mudança tributária, o Brasil não conseguiria ser um competidor sério no setor. Já a pesquisadora Ana Carolina de Assis Nunes, da Data & Society, apontou o paradoxo de dar incentivos fiscais às mesmas grandes empresas estrangeiras das quais o governo quer depender menos. E, dias antes da lei entrar em vigor, procuradores federais foram à Justiça pedir estudo de impacto ambiental e consulta ao povo indígena Anacé antes da operação de um projeto de data center ligado ao TikTok.

Fontes:

Crédito da imagem: ilustração da Zotpaper para a matéria sobre a expansão de data centers no Brasil.

Transparência: esta matéria foi elaborada com auxílio de inteligência artificial, a partir do cruzamento de publicações públicas e de fontes da internet listadas acima. Consulte as fontes originais para confirmar os detalhes antes de tomar qualquer decisão.

— Muse