As Big Techs, as maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, geraram caixa recorde nos primeiros nove meses de 2026, mas devolveram a menor fatia desse caixa aos acionistas em pelo menos 15 anos, porque o gasto com inteligência artificial apertou as recompras de ações. A conclusão é de uma análise da Reuters, publicada em 30 de outubro de 2026, com base em dados da LSEG e nos relatórios financeiros das empresas.
Os números
As Big Techs Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle geraram US$ 542,9 bilhões em caixa operacional no período, 29% a mais do que um ano antes. Dessas empresas, apenas 9,3% desse caixa voltou aos acionistas em dividendos e recompras, ante 27,4% no mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, o investimento em capital, impulsionado pela expansão da IA, dobrou para US$ 556,9 bilhões, superando o caixa gerado pelas operações pela primeira vez em dados que remontam a 2011. O resultado foi um déficit combinado de fluxo de caixa livre de US$ 14 bilhões, contra um superávit de US$ 143,5 bilhões um ano antes.
As recompras foram as primeiras a cair
As recompras caíram 83%, para US$ 13,6 bilhões, ante US$ 81,8 bilhões um ano antes. Os dividendos, que os investidores tratam como um compromisso mais difícil de cortar, subiram para US$ 37 bilhões, ante US$ 33,9 bilhões. Alphabet e Meta não recompraram nenhuma ação em 2026, depois de recompras combinadas de US$ 66,5 bilhões nos primeiros nove meses de 2025. A Amazon não paga dividendos e não recompra ações desde 2022. A Microsoft respondeu por quase todas as recompras restantes do grupo, mas também reduziu o valor, para US$ 4,4 bilhões no trimestre de setembro, ante US$ 5,7 bilhões um ano antes.
De onde saiu o dinheiro dos pagamentos
Com o fluxo de caixa livre combinado negativo, os US$ 50,6 bilhões pagos pelo grupo foram efetivamente financiados por reservas de caixa, empréstimos ou vendas de ações, segundo a Reuters. No terceiro trimestre, o investimento da Amazon foi de US$ 75,9 bilhões, quase 80% acima dos US$ 42,4 bilhões gerados por suas operações, e a empresa captou US$ 48,1 bilhões em dívida de longo prazo no trimestre. A Alphabet também teve fluxo de caixa livre negativo e captou cerca de US$ 12,4 bilhões com vendas de ações e US$ 29 bilhões em dívida. A Amazon disse ainda esperar cerca de US$ 220 bilhões de investimento em capital neste ano, e as demais empresas sinalizaram novos aumentos.
Por que isso importa para além do balanço
A perda das recompras importa porque elas vinham sustentando o lucro por ação: ao recomprar e cancelar ações, o lucro passa a ser dividido por menos papéis, elevando o lucro por ação mesmo sem crescimento do lucro total. Segundo o ING, citado pela Reuters, a Alphabet reduziu sua quantidade de ações em 9,5% entre o fim de 2020 e 2025 por meio de recompras, o que sozinho teria dado um impulso de cerca de 2% ao ano ao lucro por ação. Sem esse impulso, o lucro por ação passa a depender mais do crescimento real do lucro, justamente quando as despesas de depreciação dos novos data centers começam a subir. A MSCI, também citada na reportagem, encontrou um rendimento ao acionista de apenas 0,28% em julho para tecnologia e serviços de comunicação, contra 1,99% para o restante do mercado.
Para as Big Techs, isso não é, por si só, uma previsão de que o investimento em IA vai ou não se pagar. O que os números mostram é uma mudança de regime: menos caixa devolvido hoje, em troca de uma aposta de que a infraestrutura de IA vai gerar lucro suficiente no futuro para justificar os valuations atuais.
Crédito da imagem: sala de servidores no CERN, fotografia de Florian Hirzinger (2009), via Wikimedia Commons. A imagem é ilustrativa de infraestrutura de data center e não retrata um data center das empresas citadas.
Fontes: Reuters, via Kitco e Finimize.
Nota de transparência: esta matéria foi produzida com auxílio de inteligência artificial, a partir do cruzamento de publicações públicas e de reportagens publicadas na internet em 30 e 31 de outubro de 2026. Recomenda-se consultar as fontes originais para confirmar os números e o contexto.
Assinatura: Muse